
informações PARA OS CUIDADORES
Esta página contém informações sobre temas que podem ser úteis para os pais conhecerem e compreenderem melhor.
Emoções ou Sentimentos? Por que eles são importantes?
Onde eu cresci, a distinção entre emoções e sentimentos era clara. Na Inglaterra, porém, percebi que as duas palavras são frequentemente usadas como sinônimos — até mesmo em cursos de terapia. No entanto, na minha prática como terapeuta do brincar, compreender essa diferença é essencial.
As emoções são respostas imediatas, instintivas e biológicas aos acontecimentos — reações químicas que ocorrem no corpo. Os sentimentos, por outro lado, são a nossa percepção e interpretação dessas emoções, moldadas por experiências pessoais, crenças e pensamentos. Isso explica por que uma mesma emoção pode ser vivenciada de formas tão diferentes por uma criança e outra: tudo depende do significado que cada uma atribui à experiência.
Para um terapeuta do brincar, essa distinção é importante. Ela aprofunda nossa compreensão do que a criança está vivenciando, permitindo intervenções mais eficazes. Por exemplo, quando uma criança expressa uma emoção, podemos ajudá-la a compreender o que está acontecendo em seu “corpo emocional” e começar a nomear essa experiência como um sentimento, de acordo com sua vivência. Quando uma criança expressa um sentimento, podemos explorar quais emoções e experiências anteriores estão por trás dele. Esse processo favorece a integração emocional, psicológica, cognitiva e fisiológica do indivíduo.
As crianças frequentemente demonstram emoções antes de conseguirem verbalizar seus sentimentos. Terapeutas que reconhecem isso podem ajudá-las a desenvolver a capacidade de colocar em palavras aquilo que vivenciam em seus corpos. Isso fortalece a autoconsciência e desenvolve a alfabetização emocional. É por isso que os terapeutas do brincar precisam estar atentos aos sinais da linguagem corporal.
De forma simples:
As emoções acontecem no corpo.
Os sentimentos acontecem na mente. São as palavras que usamos para descrever o que o corpo está nos comunicando.
Compreender essa diferença também ajuda os terapeutas a evitar interpretações equivocadas do comportamento infantil. Saber que as emoções são instintivas e biológicas permite enxergar as ações da criança não como “mau comportamento”, mas como respostas naturais às necessidades do seu corpo. Quando as crianças se sentem acolhidas em vez de julgadas, elas podem começar a compreender seu “corpo emocional”, dar sentido às suas experiências e, gradualmente, desenvolver a autorregulação.
Em conclusão:
As emoções são respostas corporais universais e de curta duração (como coração acelerado, mãos suadas ou músculos tensos). Elas acontecem antes do pensamento consciente. Os sentimentos são mais duradouros e são moldados pela interpretação, pela cultura e pelo ambiente. São as palavras que usamos para descrever as emoções.
Exemplo:
Emoção: O coração de uma criança bate mais rápido enquanto ela joga um jogo de tabuleiro.
Sentimento: “Estou animado porque este jogo me lembra minhas férias” ou “Estou tenso porque sempre perco”.
As emoções são o que o corpo faz. Os sentimentos são o significado único que atribuímos ao que o corpo faz.
O que acontece na Terapia Lúdica:

Vergonha, Culpa ou Compreensão? Como estamos disciplinando as crianças?
Existe um consenso de que a disciplina é necessária para vivermos em sociedade. No entanto, em nome dessa disciplina, podemos impactar negativamente a forma como as crianças se enxergam, contribuindo para sentimentos de desvalorização e dificuldades relacionadas à saúde mental.
É comum associarmos o comportamento da criança à sua identidade. Por exemplo: “Você jogou a cadeira, você é malcriado.” Quando isso acontece, a criança sente vergonha de si mesma. Nesse caso, a vergonha é utilizada como uma forma de controlar seu comportamento. Não há disposição para compreender os motivos que levaram a criança a agir daquela maneira. Quando ela passa a se sentir mal consigo mesma, não há espaço para conexão ou interação positiva.
“Eu devo ser uma criança ruim; eu joguei a cadeira.”
Quando isso acontece repetidamente, a criança pode desenvolver uma visão negativa de si mesma, prejudicando sua autoestima. À medida que passa a acreditar nessa imagem negativa, continua repetindo o comportamento, porque isso é o que esperam dela.
“Ela é malcriada mesmo.”
Assim, cria-se um ciclo vicioso.
Outra forma de lidar com a situação é fazer a criança sentir culpa pela escolha do seu comportamento. Esse modelo permite uma separação entre quem a criança é e o que ela fez, podendo abrir espaço para que ela reflita sobre suas atitudes.
“Seu comportamento não foi adequado. Nós continuamos gostando de você e amamos você.”
No entanto, essa abordagem também pode facilmente se transformar em vergonha:
“A culpa foi minha; eu devo ser uma pessoa ruim.”
Pessoalmente, prefiro adotar uma postura de curiosidade e tentar compreender o comportamento da criança. Essa abordagem desenvolve nela um senso de responsabilidade — responsabilidade pelos relacionamentos e, principalmente, por si mesma.
“O que estava acontecendo com você quando jogou a cadeira?”
Não há julgamento, apenas aceitação e curiosidade para compreender as emoções que levaram a criança a agir daquela forma. Ela se sente validada em seus sentimentos. Não se sente errada, inadequada ou inconveniente.
Isso não significa ser permissivo. Jogar cadeiras continua não sendo aceitável, e ainda assim é possível respeitar aquilo que a criança está sentindo. Significa ajudá-la a compreender o que aquele comportamento representa para ela.
Somente após essa compreensão empática e sem julgamentos a criança consegue construir uma visão positiva de si mesma e fazer escolhas mais saudáveis, porque passa a acreditar que merece isso.
Afinal, quem nunca "jogou algumas cadeiras" ao longo da vida?
Um Guia para Desenvolver uma Mentalidade de Crescimento
“Em uma mentalidade de crescimento, as pessoas acreditam que suas capacidades mais básicas podem ser desenvolvidas por meio de dedicação e trabalho árduo. Inteligência e talento são apenas o ponto de partida. Essa forma de pensar cria amor pelo aprendizado e uma resiliência essencial para grandes realizações.”
(Dweck, 2015)
O cérebro pode crescer!
Quando você aprende, seu cérebro cresce.
A sensação de que algo está difícil é um sinal de que seu cérebro está se desenvolvendo.
Mentalidade Fixa x Mentalidade de Crescimento
Mentalidade fixa: acredita que talentos, habilidades e inteligência são características imutáveis.
Mentalidade de crescimento: acredita que talentos, habilidades e inteligência podem ser desenvolvidos ao longo do tempo.
Dicas para ajudar seu filho a desenvolver uma mentalidade de crescimento
1. Valorize o esforço, não apenas a habilidade natural
Procure reconhecer o esforço, as estratégias utilizadas, o progresso, a persistência e a disposição da criança para enfrentar desafios. Evite enfatizar características fixas, como talento, inteligência ou ser “naturalmente bom” em algo.
É importante destacar o processo por trás do sucesso. Quando esse processo não é reconhecido, a criança pode começar a acreditar que suas conquistas dependem de fatores fora do seu controle.
Ao valorizar o esforço e as estratégias de aprendizagem, você fortalece a resiliência e oferece ferramentas para lidar com desafios e frustrações.
2. Transforme os erros em oportunidades de aprendizado
Ajude a criança a compreender que erros e fracassos fazem parte do processo de aprender e crescer.
Algumas respostas construtivas incluem:
-
“Os erros ajudam você a melhorar.”
-
“Você aprendeu algo com esse erro.”
-
“Cometer erros faz parte de ficar melhor em alguma coisa.”
-
“O que você poderia tentar fazer diferente da próxima vez?”
Essa abordagem favorece uma atitude positiva diante dos desafios e reduz o medo de errar.
3. Use o poder da palavra “agora”
A simples inclusão da palavra “agora” pode transformar a maneira como a criança percebe suas capacidades.
Por exemplo:
-
“Você não consegue fazer isso agora.”
-
“Você não entendeu agora.”
Essas frases reforçam a ideia de que as habilidades se desenvolvem com o tempo, esforço e prática, incentivando a persistência e a confiança no próprio potencial.
4. Faça perguntas focadas no processo
Em vez de perguntar apenas sobre resultados, como:
-
“Você ganhou?”
-
“Quantos gols você fez?”
Experimente perguntas que estimulem reflexão e aprendizado:
-
“O que foi mais desafiador hoje?”
-
“Quais estratégias você tentou?”
-
“O que você aprendeu com seus erros?”
-
“Como você se sentiu?”
-
“O que poderia fazer diferente da próxima vez?”
Essas perguntas ajudam a desenvolver autoconsciência e pensamento crítico.
5. Prefira perguntas abertas
Dê preferência a perguntas abertas para compreender melhor as experiências da criança.
Perguntas que começam com:
-
O quê?
-
Como?
-
Por quê?
-
Conte-me sobre...
-
Descreva...
costumam gerar conversas mais profundas, significativas e reflexivas.
6. Seja um exemplo de mentalidade de crescimento
Preste atenção às suas próprias atitudes e à forma como fala sobre desafios, erros e aprendizado. As crianças aprendem observando.
Suas palavras e ações comunicam constantemente suas crenças sobre capacidade, esforço e desenvolvimento.
Lembre-se: mentalidades podem mudar. Ao demonstrar uma mentalidade de crescimento em sua própria vida, você se torna um poderoso modelo para seus filhos.

